As canções da cantora húngara Zsuzsa Koncz têm sempre um segundo sentido. Durante a era comunista, as letras falavam, nas entrelinhas, de rebelião e democracia. Temas que voltam a fazer sentido hoje, face à deriva autoritária do governo húngaro.<br /><br />A euronews falou com a artista de 68 anos sobre a experiência da censura durante o período soviético.<br /><br />“As minhas canções falam de situações históricas. Cantei um tema sobre a revolução de 1956, sobre as pessoas que deixaram a Hungria e só regressaram após a partida do último soldado soviético. São temas que me interessavam muito. Não foi por acaso que estudei direito”, frisou a artista.<br /><br />Zsuzsa Koncz tornou-se conhecida do grande público em 1962, ao participar num programa de televisão. O estado de graça durou apenas alguns anos. Em 1970, a Rádio Pública da Hungria censurou algumas das suas canções. No ano seguinte proibiu a difusão do álbum.<br /><br />“Na televisão, podíamos cantar mas o álbum foi censurado na rádio. Eles queriam despedir a direção da editora do disco mas no final limitaram-se a um procedimento disciplinar. Disseram-lhes: camaradas têm de prestar mais atenção ao que esses cantores andam a cantar porque eles estão de falar de nós”, contou Zsuzsa Koncz.<br /><br />A censura não impediu a crescente popularidade de Schuscha Konsch, não só na Hungria como nos países vizinhos. Muitas canções foram traduzidas para francês e alemão.<br /><br />“Em França, ouvi o Gilbert Becaud, o Johnny Hallyday, a Sylvie Vartan, e a Francoise Hardy. Era ainda uma jovem estudante e não sabia bem o que queria fazer da vida e essas artistas mostraram-me os valores desta profissão e foram uma influência importante”, disse a cantora.<br /><br />25 anos após a transição política, os artistas húngaros têm razões para voltar a falar de valores face a um governo que discrimina minorias, afasta juízes incómodos e limita a liberdade imprensa.
