Sou aditivo dos horizontes que me fogem tímidos ao olhar <br />E há muito que a alma me observa dos longes inacessíveis <br /> <br />Respiro apenas dos pulmões das palavras inauditas <br />E o corpo alheia-se vagamente da febre das mãos <br /> <br />Pairo inútil no assombro da minha ignóbil desutilidade <br />E ignoro o mais leve justificativo para mover o corpo <br /> <br />Escrevo porque não tenho aonde ir <br />E não me sinto ridículo <br /> <br />Quem da solidão não morre <br />Vive a fingir <br /> <br />Palavra a palavra como remos <br />Folha a folha como mar <br /> <br />É um barco que escrevemos <br /> <br />Que poesia é navegar! <br /> <br /> <br />Valter Guerreiro
