Minha linguagem é feita de silêncio. <br />Da densidade sólida que corrói as paredes <br />De todos os templos. <br />Prece muda, quase um fluido <br />Se esvaindo do pensamento... <br /> <br />O verbo que fala de mim, sussurra. <br />Está noutro tempo, <br />Noutra rima, <br />Noutro verso. <br />Verbo imperfeito <br />Que não quer virar palavra: <br />Verbo que cala, <br />Verbo que morre, <br />Verbo que mata. <br /> <br />Assim, sou um rascunho <br />entre junho e julho, <br />quando o frio é um poema fatigado <br />de esperar o inverno puro de agosto. <br /> <br />Viviane Barroso
