O exército sudanês terá recorrido a armas químicas para tentar esmagar a revolta dos rebeldes numa das regiões mais remotas da província do Darfur. <br /><br /> Segundo a Amnistia Internacional, mais de 250 pessoas, a maioria civis, terão morrido na sequência de trinta bombardeamentos com agentes químicos na zona de Yebel Marra. <br /><br /> A organização recorreu a imagens de satélite e entrevistas com centenas de sobreviventes para denunciar os ataques.<br /><br /> Segundo Tirana Hassan, uma das responsáveis pela investigação,<br /><br /> “A única diferença entre o que aconteceu em 2004 e o que está a acontecer hoje é que o mundo deixou de ver o que se está a passar no Darfur. Os abusos cometidos pelo governo sudanês sobre a população civil são tão graves como em 2004. E precisamos de ter uma mobilização à altura do que exige esta crise”.<br /><br /> As autoridades sudanesas negam as acusações afirmando não dispôr de armas químicas no seu arsenal.<br /><br /> A denúncia surge depois do governo sudanês ter lançado uma nova ofensiva sobre os rebeldes do Exército da Libertação do Sudão em Janeiro.<br /><br /> A Organização para a Proibição de Armas Químicas deverá analisar o caso durante a próxima reunião, em Haia, no dia 11 de Outubro.<br /><br /> Segundo a Amnistia Internacional outros 357 civis terão sido assassinados pelas forças governamentais nos últimos seis meses.<br /><br /> O Darfur é palco há mais de uma década de um conflito entre rebeldes e governo responsável por mais de 300 mil mortos e 2.7 milhões de refugiados.<br />