Ivan Rogers, embaixador do Reino Unido para a União Europeia (UE), anunciou a demissão, esta terça-feira, a menos de três meses do início previsto das negociações formais para o Brexit. <br /><br /> Rogers estava em Bruxelas há três anos e é um dos mais experientes diplomatas em assuntos europeus. <br /><br /> O analista político Vivien Pertusot diz que “agora que ele partiu, a questão é saber quem pode substituí-lo, que tem conhecimentos suficientes, em Londres ou nas capitais europeias, para assumir o cargo e liderar as negociações que vão começar muito em breve”. <br /><br /> “Para ser franco, é uma situação muito complicada neste momento. Claramente, a demissão é muito mau sinal para o Reino Unido”, acrescentou. <br /><br /> É mais uma “dor de cabeça” para a primeira-ministra, Theresa May, que ainda aguarda pela decisão do Supremo Tribunal britânico sobre o papel que o Parlamento do país terá no Brexit.<br /><br /> De acordo com o diário Financial Times, o embaixador britânico limitou-se a comunicar aos seus funcionários a decisão de antecipar a partida, prevista para novembro.<br /><br /> O diplomata foi um dos principais assessores do ex-primeiro-ministro conservador David Cameron nas negociações prévias ao referendo, de 23 de junho passado, para tentar garantir alterações às cláusulas da participação britânica na UE.<br /><br /> No final de 2016, Rogers suscitou uma enorme controvérsia, ao considerar que o acordo comercial com a UE após a saída britânica do bloco levaria uma década a ser concretizado e que inclusivamente poderia fracassar porque necessitaria da ratificação dos restantes 27 Estados-membros.<br /><br /> Segundo o Financial Times, as relações do embaixador com a equipa de Theresa May deterioraram-se nos últimos meses.<br />
