direção: José de Holanda<br /><br />já que sabemos viver<br />só do que a mão alcançar<br />também podemos sonhar <br />sem dormir<br />quem vem de terra alta <br />sente sempre falta<br />do que não pode existir<br /><br />se encolhermos até ser<br />impossíveis de esmagar<br />dá-se um jeito de escapar<br />sem fugir<br />e já que nada temos <br />só carregaremos<br />peso que ajude a subir<br /><br />praticando não saber<br />nada do lado de lá<br />um brilho do que não há<br />vem cobrir<br />nossa pele escura<br />capa de armadura<br />nada pode destruir<br /><br />toda vez que esmorecer<br />a vontade de cantar<br />vai sempre um doido gritar:<br />Tamo afim!<br />de festa enquanto dorme<br />o inimigo enorme<br />neles, em nós e em mim
