A luz irrompe onde nenhum sol brilha;<br />onde não se agita qualquer mar, as águas do coração<br />impelem as suas marés;<br />e, destruídos fantasmas com o fulgor dos vermes nos cabelos,<br />os objectos da luz<br />atravessam a carne onde nenhuma carne reveste os ossos.<br /><br />Nas coxas, uma candeia<br />aquece as sementes da juventude e queima as da velhice;<br />onde não vibra qualquer semente,<br />arredonda-se com o seu esplendor e junto das estrelas<br />o fruto do homem;<br />onde a cera já não existe, apenas vemos o pavio de uma candeia.<br /><br />A manhã irrompe atrás dos olhos;<br />e da cabeça aos pés desliza tempestuoso o sangue<br />como se fosse um mar;<br />sem ter defesa ou protecção, as nascentes do céu<br />ultrapassam os seus limites<br />ao pressagiar num sorriso o óleo das lágrimas.<br /><br />A noite, como uma lua de asfalto,<br />cerca na sua órbita os limites dos mundos;<br />o dia brilha nos ossos;<br />onde não existe o frio, vem a tempestade desoladora abrir<br />as vestes do inverno;<br />a teia da primavera desprende-se nas pálpebras.<br /><br />A luz irrompe em lugares estranhos,<br />nos espinhos do pensamento onde o seu aroma paira sob a chuva;<br />quando a lógica morre,<br />o segredo da terra cresce em cada olhar<br />e o sangue precipita-se no sol;<br />sobre os campos mais desolados, detém-se o amanhecer.<br /><br />PODCAST<br /><br />Rumble https://rumble.com/register/HermesFigueiredo/<br />iTunes https://podcasts.apple.com/br/podcast/poetry/id1446284914?mt=2<br />Amazon https://www.amazon.com/Poetry/dp/B08K597P4K<br />Spotify https://open.spotify.com/show/5jvA0f0wxhhf01Hh5UufGa<br />Tunein https://tunein.com/embed/player/p1427220/<br />Stitcher https://www.stitcher.com/podcast/poetry-7?refid=stpr<br />Deezer https://deezer.com/show/2032382
