Texto do Dr. Mário Aristides Freire.<br /><br />Damos espaço, agora, à notável peça oratória, eloquente e sólida de argumentos e conclusões consideráveis, que foi a conferência do Dr. Mário Aristides Freire, expoente da mais apurada cultura intelectual espírito-santense:<br /><br />O progresso do Estado do Espírito Santo nos quatro séculos decorridos desde o início do seu povoamento, comemorado hoje festivamente, demonstra a riqueza e notável fertilidade de seu solo, bem como a grande tenacidade dos que aqui têm vivido e trabalhado.<br /><br />Há precisamente quatrocentos anos, os primeiros colonos portugueses saltavam, maravilhados, em um rústico recanto, à entrada da encantadora baía de Vitória.<br /><br />Pela Carta Régia de 1º de Junho de 1534, Vasco Fernandes Coutinho fora contemplado com 50 léguas de terra, na costa, do sul das que haviam sido concedidas a Pedro de Campos Tourinho. Bravo fidalgo, já citado nas crônicas militares das conquistas na Ásia, o donatário vendera tudo quanto possuía em Portugal, empolgado pelo desejo de tornar logo realidade o seu grande sonho patriótico: trazer a fé e a crença católica, o que valia dizer naquele tempo trazer a civilização, a um largo trecho do Novo Mundo.<br /><br />Daria expansão, assim, ao espírito aventureiro de mais um bando heroico de portugueses; mostraria de que ainda eram capazes os denodados lusitanos, descendentes próximos daqueles desprendidos e temerários navegadores do famoso périplo africano, audazes descobridores de terras “por mares nunca dantes navegados”.
