Gravíssimo incidente abalou o Espírito Santo quando da passagem, pelo porto de Vitória, do brigue de guerra Ururau, em 1827.<br /><br />Aproveitando-se da ocasião em que o povo acompanhava, despreocupadamente, a procissão de Corpus Christi pelas ruas da cidade, o comandante das Armas, Francisco Antônio de Paula Nogueira da Gama, (XIII) auxiliado pela guarnição daquele navio, prendeu, indistintamente, numerosos chefes de família, rapazes, velhos e aleijados, para encaminhá-los ao Rio de Janeiro, de onde deveriam seguir para o sul a integrar o Exército brasileiro que combatia na Guerra Cisplatina. Ao pânico do primeiro momento seguiu-se o desespero dos que partiam e dos que ficavam, uns e outros angustiados por tão estúpida quão imprevista separação.<br /><br />Durante muitos anos deixou de realizar-se em Vitória a procissão de Corpus Christi,(54) e os capixabas batizaram o triste episódio de recrutamento do Ururau.(55)<br /><br />NOTAS<br /><br />(54) - DAEMON, Prov ES, 276-7 e 368.<br />___________________________<br /><br />**Escavações Históricas - 1887**<br />**Um combate em 1827 nas águas do Espírito Santo; O "Ururáu" e um Corsário Argentino**<br />Graças à gentileza de um cavalheiro desta capital, podemos hoje oferecer aos leitores d'A Província documentos oficiais, ainda inéditos, sobre um fato ignorado ou pouco conhecido de nossa história.<br />São três os documentos: dois ofícios do comandante das Armas dessa província ao Conde de Lages e um certificado do comandante do corsário argentino. A leitura destes documentos, que entregamos à investigação dos nossos historiadores Doutor Afonso Cláudio e Emanuel Augusto da Silveira, nos desobriga, por ora, de maiores comentários.
