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#4 MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS - PARTE 4

2024-09-23 1 Dailymotion

Na leitura do último episódio, Brás conta sobre os dias em que passou na casa da família, na Tijuca, sozinho a refletir sobre a morte da mãe. Ele encontra D. Eusébia e conhece a filha dela, Eugênia.<br />Nesse fragmento aparecem algumas borboletas. A borboleta de asas de ouro e olhos de diamante que Brás imagina voando dentro da cabeça de Eugênia, as duas borboletas negras que invadem, primeiro a casa de D. Eusébia, depois o quarto dele, e que segundo as mulheres são sinal de mau agouro. Esses aparecimentos das borboletas são fatos que desencadeiam no Brás reflexões subjetivas. A figura da borboleta parece servir como metáfora para nos revelar algo que não está sendo dito.<br /> Há também referências a cores nesses capítulos. Brás associa amarelo à hipocondria, azul a algo positivo. Há alusão à cor da casa em que moram D. Eusébia e Eugênia, que Prudêncio diz que mudaram pra uma casa roxa. Brás diz que se a borboleta negra que entrou no quarto fosse azul, que talvez não tivesse morrido, mas como era negra, foi arrebatada por uma toalha. <br />A lembrança do defunto desse dia em que entra uma borboleta preta no seu quarto, voa ao redor do corpo dele, pousa em sua testa e depois vai pousar no retrato do seu pai, pode fazer referência a alguns fatos: à crueldade do homem que se julga o dono do espaço, à arrogância desse mesmo homem, branco e privilegiado, que se julga o inventor da borboleta, ao desprezo pelo outro, ao racismo, ao sentimento de superioridade em relação ao outro. <br />Lembra que as borboletas estão inseridas no episódio em que Brás trava conhecimento com Eugênia, de quem ele sente certo desprezo porque é filha ilegítima e porque é manca. E quem avisa Brás da existência de Eugênia é o escravo Prudêncio que, assim como a borboleta, é negro e entra no quarto dele com a informação da mudança de D. Eusébia para uma casa vizinha e, com isso, leva Brás a fazer reflexões. Logo que mata a borboleta preta, ele sente arrependimento, mas não demora muito que se reconcilie consigo mesmo. Assim como aconteceu com o almocreve, Brás é rápido em desculpar o próprio comportamento, em julgar que agiu bem. <br />E que justificativa Brás Cubas usa agora pra ter praticado o mal, pra ter matado a borboleta? A justificativa é a cor da borboleta. Ela morre porque é preta. E, sendo preta, tudo bem matar a borboleta! (até rimou!) Ele se exime de sua maldade dizendo que a culpa por ter sido morta é da borboleta, que não tinha nascido azul. Será que a gente pode fazer alguma associação à cor de pele dos escravos, que viviam apanhando, sendo mortos pelos homens brancos que se julgam superiores, e ao ditado de que os nobres têm sangue azul? Se era essa a intenção do autor, ele arremata o argumento com uma ironia, pois diz que mesmo a borboleta azul teria um fim trágico, seria espetada por um alfinete pra ser exposta por sua beleza.

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