Depois de acumular a maior dívida corporativa do planeta na gestão Dilma Rousseff (US$ 160 bilhões), a Petrobras chega a 2022 com as contas bastante saneadas, lucros recordes (R$ 106 bilhões) e uma dívida bruta de US$ 58 bilhões, abaixo da meta estabelecida e dentro da média do setor.<br /><br />A recuperação da companhia só foi possível com medidas drásticas de desinvestimento, blindagem contra o aparelhamento político e a aplicação da política de paridade internacional de preços, que agora impacta ferozmente na inflação e corrói o bolso do cidadão.<br /><br />Mas todo remédio, em quantidade acima do recomendado, vira veneno. A crise inflacionária é global e desafia administrações liberais de diferentes países, impondo à política brasileira uma reflexão necessária sobre soluções que garantam um mínimo de equilíbrio até o fim da tempestade.<br /><br />Longe de uma CPI eleitoreira ou de uma MP draconiana, o caminho passa por um debate amplo com todos os atores envolvidos.<br /><br />Cabem algumas perguntas: onde está a Agência Nacional do Petróleo? Ela fiscaliza se as refinarias estão trabalhando em sua capacidade operacional plena? E os importadores trabalham com eficiência? Se a Petrobras aplica a paridade internacional para a importação, não deveria fazer o mesmo para a exportação? É justo que brasileiros paguem o preço internacional do barril, enquanto os chineses compram nosso óleo mais barato?<br /><br />Há quem defenda que a paridade de exportação ampliaria a remuneração dos acionistas e ainda teria o condão de atrair outros investidores, mantendo a sustentabilidade de longo prazo com base no princípio básico da competitividade internacional. Além disso, a ineficiência de operações de refino e importação deveria ser 'punida' com novos leilões, e não lançada no preço de 93% da gasolina produzida, de 74% do diesel e de 80% do GLP.<br /><br />Parece que nossas lideranças políticas estão muito mal assessoradas ou mal-intencionadas. Querem uma intervenção branca na Petrobras, enquanto abrem mão do poder regulatório e não enfrentam a urgente questão da segurança energética. O mercado brasileiro de energia tem vantagens comparativas que ainda o tornam atrativo ao investimento estrangeiro, mas esse potencial se perderá numa economia destroçada e sem consumidores. Isso deveria interessar sobremaneira aos acionistas da companhia e aos agentes reguladores.<br /><br />Cadastre-se para receber nossa newsletter:<br />https://bit.ly/2Gl9AdL<br /><br />Confira mais notícias em nosso site:<br />https://www.oantagonista.com<br /><br />Acompanhe nossas redes sociais:<br />https://www.fb.com/oantagonista<br />https://www.twitter.com/o_antagonista<br />https://www.instagram.com/o_antagonista
