Imagine estar em um ambiente onde o ar parece uma estufa e cada respiração exige esforço. Quando a temperatura corporal ultrapassa 40 graus Celsius, o organismo entra em colapso. Enzimas param de funcionar, órgãos falham e o cérebro perde o controle. O calor extremo mata de forma silenciosa e rápida. O corpo humano regula sua temperatura principalmente pelo suor. Ao evaporar, o suor resfria a pele. O problema é que, quando a umidade do ar está muito alta, o suor não evapora com eficiência. O sistema de resfriamento trava, a temperatura interna sobe sem controle e começa o que os médicos chamam de hipertermia grave. A Europa viveu isso em 2003, quando uma onda de calor matou mais de 70 mil pessoas em duas semanas, só na França foram cerca de 15 mil mortes. Em 2010, a Rússia registrou mais de 55 mil mortes associadas ao calor extremo. Na Índia, ondas recorrentes já ultrapassaram 45 graus em regiões inteiras, matando milhares a cada episódio. Nem todo calor afeta as pessoas da mesma forma. Cidades com alta umidade, como Mumbai, são mais perigosas do que desertos secos. Países sem cultura de ar-condicionado e com moradias mal ventiladas sofrem mais. Populações idosas e sem acesso a água potável estão entre as mais vulneráveis, independentemente da latitude. O calor extremo não afeta só humanos. Trilhos de trem se curvam quando o aço dilata acima do projetado, causando descarrilamentos. O asfalto amolece e afunda sob pneus. Elefantes se cobrem de lama para se resfriar. Abelhas fazem ventilação coletiva nas colmeias, batendo as asas em sincronia para baixar a temperatura interna. A ciência indica que ondas de calor serão mais frequentes e intensas nas próximas décadas. Para se proteger, hidrate-se constantemente, evite exposição entre dez e dezesseis horas, use roupas claras e fique atento a idosos e crianças ao redor. Pequenas ações individuais e políticas públicas de adaptação urbana fazem diferença real.
